CONJUGAÇÕES

ENTRELAÇO PALAVRAS NO VERBO SATISFEITO.





DÁ
ME



QUERO
TE



ABRACEMO NOS

GUETOS


Tocam-me as pedras na solidão dos cantos dos porquês, pergunto mais e nada me dizem, afagam-me frios na incongruência da humanidade apertando contra mim mesma o inventar de mãos dadas, coisa minha que imagino, coisa que sonho um dia. Um dia os homens dão as mãos e a diferença será uma estátua de pedra.

DEFESAS


Para defender o ouro deixou crescer uma carapaça espinhuda e irregular, com vários tons que desconfiassem aos olhos da sua maturidade e sabor. Quem lhe tocasse sentía na polpa das mãos o que protegía na polpa do alimento. Era quase como um aperto numa mão áspera cheia de calos. Porém tão franca e calorosa.

EGO




ILUSÃO DE

ALCANÇAR
EM SI O QUE EM

TODOS

NÃO

PODE

TOCAR

CHEGAR (MUITO) PERTO



De todas as vezes que te escrever hei-de chegar perto de ti, sem pontos finais nem com muitas vírgulas para não ficar arfante na saudade que sacio em palavras que encarreiro muito bem desenhadas, para que do gosto delas tires também o sorriso da brincadeira na mão que segura a caneta e te toca o peito no lado do coração.

DONO DE MIM

TOCAR O CHÃO






FAZER CAMINHOS



ATINGIR O SONHO

COMO UM CARDO



Nem tudo o que nos repele o toque é desagradável.



Este cardo por exemplo... Em verde, adicionado ao leite fervente faz queijo fresco e requeijão; seco, afasta insectos; dos seus espinhos retira-se o melhor crivador de uma bordadeira; e se tocarmos no seu núcleo sentimos o toque do algodão.



Tal como os outros.

Os outros são sempre os outros.

Mas saberemos nós deles?

Das suas qualidades?

Dos seus carinhos?

NATURA


Ainda a bruma molhava caminhos no despertar do dia, escorregava a luz entre pinheiros e fetos, a passarada soltava a alegria nos voos pequenos e curtos da busca de comida. Rasgou o carreiro por onde sempre passava, afundado entre margens fofas de erva brilhante que lhe molhavam as pernas das calças. Aqui e ali, um cogumelo parasita à sombra de um gigante atirado ao céu. Gostava de árvores, do seu silêncio robusto, da sua folhagem gemida entre ventanias assobiadas ou apenas da sombra acariciadora do regresso escaldante. Abraçou o tronco do pinheiro, a resina peganhenta aderiu ao seu rosto, afagou a casca áspera, muito castanha e sangrenta no golpe. E sob as mãos calejadas sentiu-se feliz como se o rugoso se tratasse de um veludo que todo o cobría até à alma.

O TOQUE DAS PALAVRAS




De todas as palavras prefiro as que me caem plumas.




É que têm o toque do coração.




E esse, é sem dúvida o melhor sentir.

AGILIDADE



Desvendar jardins secretos do outro lado da porta.
Descobrir mundos no alcance de uma mão.
Tocar mistérios na ponta dos dedos.

DEFINIÇÕES


As mãos têm histórias de vidas marcadas em cada linha, alto, calo, curva, saliência, golpe. Nas palmas encontramos junto todas essas aventuras que percorrem o tempo. No punho as batalhas e as determinações. Nos dedos o caminho a seguir, as artes, o compromisso. Na mão estendida o dar. Na mão em garra o medo e a defesa. Nas duas mãos estrelaçadas o embalo e a segurança. E também das mãos se fazem amor, castigo, bichos e se diz adeus marcando uma nova linha na saudade.

O PIANO

Mãos

Que Afagam Sons

ARTIFICIAL


Ría-se muito, os dentes muito brancos sempre exibidos no cumprimento polido acompanhado de um meneio rápido de cabeça.
Esticava a mão. Mole, fria, pendurada nos dedos de outrém, sem vida.
E toda a gente se perguntava porque lhe achavam tão pouco interesse num homem que parecía ser tão simpático...

ESTÁTUA



Imóvel, deixava-se estar na posição dos que esperam sempre alguma coisa, algum gesto, alguma intenção. Mesmo que quisesse nada mais podía fazer, presa a um mármore intemporal que a mantinha bela mas solitariamente perdida na admiração dos que passavam.

Só quando alguém lhe tocava afagando-lhe os anos torneados no escopro e cinzel as mãos lhe aquecíam e pequenos corações palpitavam na ponta dos dedos frios. Pensava então que era humana...

ARTE DE SER MULHER



TOCAR TODOS OS INSTRUMENTOS

OUTROS TACTOS



Dançar.


Envolver-se no fluido de sons e deixar-se acariciar pelos movimentos.


Ritmo de essências, despertar do outro, de outros.


Salto que despe o corpo e entra na dimensão do sonho.

SE



Já pensaram se nada sentissemos?

Se na ponta dos dedos mil filamentos nervosos não existissem e levassem ao cérebro as sensações que nos passam rugosas, ásperas, macias, polposas?

E como saberíamos do quente e do frio? Do Verão e do Inverno?

Se estivéssemos apaixonados sería indiferente passar a mão no rosto de alguém ou até sentir o baquear mais agitado depois de um longo beijo cheio de paixão... simplesmente deixávamos as mãos à deriva dentro dos bolsos.

E nestes? Como saber que estavam furados e perdemos a chave de casa, agora sem regresso e entrada possíveis, o nosso aconchego, a chávena de café entre mãos a esquecer o dia mau ou a madrugada mal dormida...

Uma madrugada cheia de pesadelos. Cheia de sonhos em que as mãos não tinham tacto...

DA TERRA



Agachou-se. Sorriu e apanhou a ambas mãos um punhado grado de terra. Depois cheirou-a. Muito perto do nariz e da boca, um farelo de terra castanha colou-se-lhe aos lábios húmidos, lambeu-se, fechou os olhos, ergueu o queixo ao céu e deixou escapar um ahhhhhh longo e baixo.

Apertou-a contra si, no peito, esfregou o quadriculado da camisa, segurou a que restava entre os dedos.


- Que fazes homem? Olha que te sujas!


Ele riu. Depois deixou escapar à brisa morna da primavera a poalha de terra. Ficou a vê-la tombar, a mais fina a esvoaçar levada para outros campos.


- É preciso cuidar dela, amá-la. Um dia há-de cobrir-me e quero que me seja leve.

VÍCIOS



O TACTO FAZ CLICK.


O CLICK APROXIMA.


O CLICK TOCA.


MAS ONDE ESTÃO AS LINHAS DE CALOR?

RODIN












FALAR AS
MÃOS